Ruptura à esquerda: PCO rejeita Lula no 2º turno contra Flávio Bolsonaro e prega voto nulo

Aliada histórica das campanhas petistas em 2018 e 2022, sigla de Rui Costa Pimenta critica política econômica do governo, alianças com o centro e atuação do STF.

Rui Costa Pimenta
Rui Costa Pimenta (Brasil Paralelo)

O Partido da Causa Operária (PCO) formalizou uma ruptura com a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após anos alinhado ao campo petista em disputas nacionais, o partido deliberou que orientará seus filiados e simpatizantes a votarem nulo no segundo turno da corrida presidencial entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A definição foi aprovada durante a 39ª Conferência Nacional da legenda, realizada em São Paulo, e abrange também as disputas para governos estaduais que seguem indefinidas.

Os motivos do rompimento com o petismo

O posicionamento contrasta frontalmente com as duas últimas eleições presidenciais:

  • 2018: Apoiou a tentativa de registro da chapa de Lula até o veto definitivo da Justiça Eleitoral.
  • 2022: Engajou-se diretamente na campanha petista em ambos os turnos contra Jair Bolsonaro.

Para a Executiva Nacional do PCO, as premissas que justificavam o suporte no passado deixaram de existir. As divergências centram-se em três eixos:

  1. Condução macroeconômica: A sigla acusa o terceiro mandato de Lula de adotar medidas de contenção fiscal e concessões que prejudicam a classe trabalhadora.
  2. Aliança com a centro-direita: A legenda critica a composição ministerial ampla e a subordinação de pautas históricas para acomodar legendas do Centrão.
  3. Relação com o Judiciário: O partido aponta conivência governamental com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, na avaliação da cúpula do PCO, restringem liberdades políticas e sindicais.
"Lula deixou de representar uma alternativa real para a classe trabalhadora."
— Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO

Rejeição mútua: o veto a Flávio Bolsonaro

A recusa em marchar com o PT não significou qualquer aproximação com o candidato do PL. Rui Costa Pimenta classificou o projeto encabeçado por Flávio Bolsonaro como abertamente "reacionário" e prejudicial aos direitos sociais.

Ainda assim, a cúpula do PCO sustentou que a ameaça de avanço da direita tradicional ou do bolsonarismo não pode mais servir de pretexto para respaldar concessões programáticas da centro-esquerda nas urnas.

O desempenho do PCO nas urnas

A eleição de 2026 marcou o retorno do PCO com candidatura própria ao Palácio do Planalto pela primeira vez desde 2014, quando Pimenta concorreu pela última vez.

Na apuração do primeiro turno, o candidato registrou 15.024 votos (0,01% dos válidos), terminando na última colocação entre os concorrentes ao Executivo federal. Sem representação no Congresso e fora da etapa final, o partido busca consolidar-se como oposição programática pela esquerda diante do confronto decisivo de 25 de outubro.

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Fontes e referências
  1. Brasil Paralelo (brasilparalelo.com.br)

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