2 de 19 institutos apontaram vitória de Lula na véspera, e a Vox Brasil foi a que chegou mais perto da urna
Lula teve 51,79% dos votos válidos. Dezessete pesquisas indicavam Flávio Bolsonaro à frente, com erros de até 3,8 pontos. Datafolha e Quaest ficaram fora da margem de erro.
Ver os dados em tabela
| Bolsonaro | Lula | |
|---|---|---|
| Urna | 48,21% | 51,79% |
| Vox Brasil | 49,4% | 50,6% |
| Colectta | 49,7% | 50,3% |
| Futura/CNN | 50,1% | 49,9% |
| BTG/Nexus | 50,5% | 49,5% |
| Ipespe | 50,5% | 49,5% |
| Indexa/Broadcast | 50,6% | 49,4% |
| CNT/MDA | 50,7% | 49,3% |
| AtlasIntel | 50,8% | 49,2% |
| Datafolha | 51% | 49% |
| Quaest | 51% | 49% |
| PoderData | 51% | 49% |
Pesquisa eleitoral não é previsão. É um retrato da intenção de voto num momento específico, com uma margem de erro declarada. Ainda assim, comparar as pesquisas da véspera com o resultado é a forma mais objetiva de avaliar quem mediu melhor o eleitorado. No segundo turno de 2026, quase todos os institutos erraram na mesma direção.
Dezessete pesquisas indicavam Flávio à frente
Nos dias anteriores à votação de domingo, 25, 19 institutos divulgaram pesquisas nacionais com votos válidos. Dezessete mostravam Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente, com percentuais entre 50,1% e 52%. Só dois apontaram Lula (PT) na frente: a Vox Brasil, divulgada na sexta-feira, 23, com 50,6% a 49,4%, e a Colectta, divulgada no sábado, 24, com 50,3% a 49,7%. A Colectta ouviu 3 mil eleitores pessoalmente em 101 municípios, com margem de erro de dois pontos.
Como o segundo turno tem só dois candidatos, o erro é o mesmo para os dois lados. Se um instituto deu a Lula 49%, ele subestimou o petista em 2,79 pontos e superestimou Flávio na mesma medida.
O ranking da véspera
Esta é a distância entre a pesquisa e o resultado de Lula, do menor erro para o maior:
| InstitutoLula na pesquisaErro (pontos) | ||
| Vox Brasil | 50,6% | 1,19 |
| Colectta | 50,3% | 1,49 |
| Futura/CNN | 49,9% | 1,89 |
| BTG/Nexus | 49,5% | 2,29 |
| Ipespe/Abrasel | 49,5% | 2,29 |
| Indexa/Broadcast | 49,4% | 2,39 |
| CNT/MDA | 49,3% | 2,49 |
| AtlasIntel/Bloomberg | 49,2% | 2,59 |
| Datafolha | 49% | 2,79 |
| Quaest | 49% | 2,79 |
| PoderData/Aya | 49% | 2,79 |
| Palver | 49% | 2,79 |
| Veritá | 48,9% | 2,89 |
| Meio/Ideia | 48,9% | 2,89 |
| França | 48,6% | 3,19 |
| DataTrends | 48,1% | 3,69 |
| Gerp | 48% | 3,79 |
| Real Time Big Data | 48% | 3,79 |
| Alfa Inteligência | 48% | 3,79 |
Os dois únicos institutos que acertaram o vencedor também foram os que chegaram mais perto do resultado. A Futura, encomendada pela CNN Brasil, ficou em terceiro, com erro abaixo de 2 pontos, mas ainda indicava Flávio na frente por 0,2 ponto.
Os maiores institutos ficaram fora da margem
Datafolha e Quaest, os dois levantamentos de maior repercussão, terminaram empatados: 51% a 49% para Flávio. O Datafolha ouviu 4.050 eleitores e a Quaest, 3.702, ambos com margem de dois pontos. O erro de 2,79 pontos ficou acima dessa margem. Segundo reportagens publicadas depois da eleição, foi a primeira vez que o Datafolha apontou o candidato errado como vencedor num segundo turno presidencial.
Contraponto
O erro concentrado num só lado sugere uma causa comum, e não falhas isoladas de cada instituto. A principal hipótese é o comparecimento às urnas. A abstenção do segundo turno foi a menor em 20 anos, e analistas apontam que parte da virada de Lula veio de eleitores que as pesquisas não esperavam ver votando. Pesquisas medem intenção de voto. Quando os institutos não estimam quem vai de fato comparecer, tratam toda intenção declarada como se fosse voto.
Também é preciso lembrar que boa parte das pesquisas mostrava empate técnico. Pela margem de erro, um resultado com Lula à frente era possível em quase todas elas. O problema não é Lula ter vencido. É que 17 de 19 levantamentos erraram para o mesmo lado, o que estatisticamente não deveria acontecer se os erros fossem aleatórios. Por fim, acertar o vencedor numa disputa tão apertada também envolve sorte: Vox Brasil e Colectta ficaram mais perto, mas também erraram por mais de um ponto.
O que observar
Os institutos costumam publicar notas técnicas depois das eleições explicando as diferenças. O ponto principal é saber se vão mudar a forma de estimar o comparecimento. A discussão também deve chegar ao Congresso, onde de tempos em tempos surgem propostas para restringir a divulgação de pesquisas perto da eleição.
Fontes e referências
- Nexo Jornal (nexojornal.com.br)
- Portal Leo Dias (portalleodias.com)
- Blog do Esmael – Pesquisas erraram ou não captaram o movimento das ruas (esmaelmorais.com.br)
- Estado de Minas – Só um instituto previu vitória de Lula na véspera do 2º turno (em.com.br)
- Bahia Notícias (bahianoticias.com.br)