Lula autorizará quebra de seus sigilos bancário e telefônico no STF e TSE e desafia Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo
Porta-voz da campanha petista, Camilo Santana afirma que documento inclui familiares diretos do presidente, mas vincula abertura de contas e registros telefônicos à adesão do adversário do PL após embate no debate.
Em um novo desdobramento do primeiro confronto direto na televisão entre os dois concorrentes ao Palácio do Planalto, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que formalizará perante a Justiça a autorização expressa para a quebra de seus sigilos bancário e telefônico, bem como de familiares diretos. O gesto, no entanto, foi desenhado como um desafio político e institucional condicionado à adesão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também terá de franquear seus dados para que a abertura seja efetivada.
O anúncio foi feito pelo porta-voz oficial da candidatura e senador licenciado Camilo Santana (PT). Segundo a articulação petista, as petições de liberação serão protocoladas diretamente aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
A estratégia do desafio aos presidentes do STF e do TSE
De acordo com o porta-voz, o presidente já determinou ao corpo jurídico a confecção do instrumento:
"O presidente vai autorizar oficialmente a quebra de seu sigilo bancário e telefônico e de seus familiares, desafiando Flávio a fazer o mesmo [...] A ideia é assinar ainda hoje. Vai fazer para desafiar o Flávio, para a população saber quem é quem neste país, para saber quem é honesto e quem não é."
— Camilo Santana, porta-voz da campanha de Lula.
Apesar da disposição pública, Santana indicou que a renúncia às garantias de sigilo terá caráter estritamente recíproco: a medida só avançará caso o candidato do PL assine autorização idêntica, abrindo suas movimentações financeiras e registros telefônicos de forma simultânea.
Efeito nas pesquisas qualitativas e o embate no debate
A ofensiva busca explorar o desempenho de Lula no debate da Band. Conforme relatórios de pesquisas qualitativas encomendadas pelo comitê petista durante a transmissão, a proposta de abertura voluntária e mútua de contas bancárias foi apontada pelos grupos de eleitores indecisos como um dos pontos mais contundentes do mandatário em cena.
O programa foi marcado por trocas mútuas de ataques e cobranças sobre casos sob apuração policial:
- Daniel Vorcaro e Banco Master: Lula pressionou o senador do PL a respeito de viagens internacionais e doações atribuídas ao ex-controlador do banco liquidado, investigado por fraudes fiscais e lavagem de capitais.
- Roberta Luchsinger e fraudes no INSS: Flávio Bolsonaro confrontou o petista sobre sua proximidade e registros de encontros com a empresária e consultora Roberta Luchsinger — investigada no âmbito da Operação Sem Desconto da Polícia Federal por suspeita de intermediar repasses a operadores ligados aos desvios em benefícios previdenciários.
Ao colocar a abertura de sigilos na mesa da Justiça Eleitoral e da Suprema Corte, a coordenação de Lula tenta transferir o ônus das suspeitas patrimoniais e financeiras para a campanha bolsonarista na semana decisiva do segundo turno.
Fontes e referências
- Uol (noticias.uol.com.br)
- CNN Brasil (cnnbrasil.com.br)
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