PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime financeiro ligado a empresa de criptomoedas

Inquérito sigiloso apura a atuação do ex-ministro da Economia na OnilX, alvo de mais de cem ações de investidores que não conseguem resgatar dinheiro. Outras duas investigações contra ele, sobre fundos de pensão e uma offshore, foram arquivadas.

Paulo Guedes
Paulo Guedes (Gerado por IA)

A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito, aberto em 10 de fevereiro de 2026, tramita em sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, com acompanhamento do Ministério Público Federal. A apuração envolve a OnilX, empresa que atua no mercado de criptomoedas e é alvo de ações de investidores que dizem não conseguir resgatar o dinheiro aplicado. A informação foi revelada pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 29.

Ao todo, 12 pessoas são investigadas, entre elas Guedes e Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX. Até agora, não houve operação de busca nem prisões. A investigação não significa que Guedes tenha cometido crime.

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Qual seria o papel de Guedes na empresa?

Segundo a apuração, Guedes prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas e de encontros com potenciais investidores, e cedeu o direito de uso da própria imagem em campanhas de divulgação. Para os investigadores, o contrato, apresentado como consultoria técnica, funcionaria na prática como peça publicitária para dar credibilidade à empresa e atrair clientes.

Um material promocional da OnilX mostra o ex-ministro ao lado do dono da empresa e de representantes da bandeira de cartões Visa. Em um dos processos, uma vendedora da empresa teria dito a um cliente que Guedes estava “dentro da empresa” e oferecido encontros com ele a quem investisse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.

O que dizem os investidores?

Clientes relatam que a OnilX prometia rendimentos de até 2,8% ao mês com aplicações em criptomoedas e stablecoins, um tipo de criptomoeda atrelada ao dólar. Nos processos, eles dizem que os ativos foram bloqueados e que não conseguem sacar os valores. Parte deles suspeita que a estrutura funcionava como uma pirâmide financeira.

Um levantamento identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro, em tribunais de sete estados. Em uma delas, um casal cobra R$ 876,5 mil e afirma que decidiu aumentar os investimentos depois de uma reunião com Guedes, em abril.

Antes da investigação, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já tinha mandado suspender, em janeiro, ofertas públicas de investimento feitas pelo grupo. Em abril, a CVM manteve a ordem, mas esclareceu que ela não proíbe a simples intermediação de criptomoedas sem promessa de rendimento.

O que dizem Guedes e a OnilX?

A OnilX nega irregularidades e afirma atuar de forma regular no mercado de ativos virtuais. A defesa de Guedes, feita pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também representam o dono da OnilX, não se manifestou até a publicação deste texto.

Guedes já foi investigado antes?

Sim, duas vezes, e as duas apurações foram arquivadas.

Fundos de pensão (Operação Greenfield). Em 2018, o Ministério Público Federal passou a investigar aportes de fundos de pensão de estatais em fundos de investimento geridos pela BR Educacional, empresa ligada a Guedes, por suspeita de gestão fraudulenta ou temerária. O MPF falava em prejuízo milionário. Em outubro de 2020, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região trancou a investigação por unanimidade, por entender que não havia prova de fraude por parte de Guedes. O tribunal levou em conta que a CVM havia arquivado o caso e que os fundos tiveram resultado positivo para os investidores.

Offshore (Pandora Papers). Em outubro de 2021, a série Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, revelou que Guedes, então ministro da Economia, tinha uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas com cerca de US$ 9,5 milhões. A esposa e a filha dele continuavam na empresa depois que ele assumiu o cargo. Ter uma offshore não é ilegal, desde que ela seja declarada, e Guedes afirmou ter informado a empresa à Receita e à Comissão de Ética Pública. A Procuradoria-Geral da República arquivou as apurações preliminares, e o ministro Dias Toffoli, do STF, arquivou pedidos de investigação apresentados por parlamentares.

O que acontece agora?

A PF ainda precisa esclarecer o papel de cada investigado e se houve crime. O inquérito teve despachos e intimações em setembro e novas diligências em outubro. Ao fim, a PF pode indiciar os investigados ou concluir que não houve crime. Só depois disso o MPF decide se apresenta denúncia à Justiça.

Perguntas frequentes

Paulo Guedes foi condenado por fraude?

Não. Ele é investigado pela PF no caso da OnilX. As investigações anteriores, sobre fundos de pensão e sobre a offshore, foram arquivadas.

O que é a OnilX?

É uma empresa que atua na intermediação de criptomoedas. Investidores dizem que ela prometia rendimentos de até 2,8% ao mês e que não conseguem resgatar o dinheiro. A empresa nega irregularidades.

Qual é o crime investigado?

Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei 7.492, de 1986, conhecida como Lei do Colarinho Branco.

Guedes ainda tem cargo público?

Não. Ele comandou o Ministério da Economia de 2019 a 2022, no governo de Jair Bolsonaro.

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