[Vídeo] PF investiga fuga de informação no STJ em esquema que atinge advogado amigo de Flávio Bolsonaro
Diligências autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal miram ex-funcionário da área informática suspeito de repassar dados processuais confidenciais a Willer Tomaz, apontado como utilizador de conta conjunta com o senador.
No arranque da reta final da campanha presidencial, a Polícia Federal avançou com a Operação Linceu, autorizada pelo juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação teve como alvo principal Humberto Fontoura Pradera, ex-servidor comissionado da área de tecnologia do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-funcionário é suspeito de aceder indevidamente a sistemas judiciais e transmitir informações internas sigilosas — incluindo minutas, fotografias de ecrãs de trabalho e a escala de equipas técnicas responsáveis pela análise de processos — ao advogado Willer Tomaz.
O caso ganha repercussão direta no tabuleiro eleitoral devido à estreita proximidade entre Tomaz e o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL). As mensagens intercetadas que culminaram nas buscas no STJ derivam de um inquérito em curso no Supremo, aberto originalmente pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul. Na quebra de sigilo telemático do advogado, os peritos federais identificaram que Flávio Bolsonaro constava cadastrado como utilizador principal (master) de uma conta corporativa no exterior vinculada a empresas geridas por Tomaz, o que motivou a remessa dos autos para o STF em razão do foro privilegiado do parlamentar.
As suspeitas apuradas pela polícia judiciária envolvem possíveis crimes de quebra de sigilo funcional, peculato eletrónico, corrupção ativa e passiva e branqueamento de capitais. De acordo com os analistas da GloboNews, a teia de relações entre ambos inclui viagens internacionais conjuntas e articulações políticas consolidadas na capital, somando-se a outros inquéritos em aberto — como as averiguações em torno dos fluxos de capitais para a produção da cinebiografia Dark Horse e o escândalo financeiro do Banco Master.
Em nota divulgada à imprensa, o advogado Willer Tomaz refutou integralmente as suspeitas, afirmando nunca ter recebido qualquer decisão ou parecer de forma irregular. Do mesmo modo, o senador Flávio Bolsonaro já havia negado transações comerciais ou acesso à referida conta, assegurando manter apenas uma relação de amizade com o jurista e atribuindo o andamento da operação a perseguição política em pleno calendário de voto.
Fontes e referências
- Superior Tribunal de Justiça (stj.jus.br)
- Supremo Tribunal Federal (portal.stf.jus.br)
- G1 Política (g1.globo.com)
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