Site argentino diz que Flávio Bolsonaro saiu do Brasil de jatinho; campanha nega e PF apura

O Infobae relatou que o senador teria cruzado a fronteira com a carteira de identidade para embarcar num voo particular em Puerto Iguazú rumo aos EUA. Não há confirmação de que ele estava no avião, e uma rádio argentina diz que o voo foi cancelado.

Gulfstream G400, prefixo LV-JQW
Gulfstream G400, prefixo LV-JQW (mundo_avion)

O site argentino Infobae publicou na madrugada desta terça-feira, 27, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina para viajar aos Estados Unidos num avião particular, a partir de Puerto Iguazú, na província de Misiones. A reportagem usa verbos no condicional e não confirma que o senador embarcou nem que o voo decolou. O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou: “Não saiu”. A Polícia Federal entrou em contato com autoridades argentinas para verificar a informação.

A notícia saiu menos de um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibir Flávio de deixar o país e mandar que ele entregasse seus passaportes.

O que o Infobae publicou?

Segundo o site, Flávio teria cruzado a fronteira para a Argentina usando a carteira de identidade, o que é permitido entre países do Mercosul sem passaporte. Em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR), embarcaria às 2h, horário local, num jato Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, da empresa argentina Baires Fly S.A.

O Infobae informa que a empresa pediu à aduana e à imigração argentinas a liberação de um voo com quatro passageiros e três tripulantes. O avião havia chegado a Puerto Iguazú vindo de Buenos Aires, segundo dados do site de rastreamento FlightRadar. A aeronave foi fabricada em 2004 e está registrada na Argentina desde 2020.

O que foi confirmado e o que não foi?

Confirmado:

  • O avião existe, está registrado em nome da Baires Fly e foi a Puerto Iguazú.
  • A empresa pediu liberação para um voo com quatro passageiros.
  • Moraes proibiu Flávio de deixar o país e mandou entregar os passaportes.
  • A PF consultou autoridades argentinas.

Não confirmado:

  • Quem eram os quatro passageiros. Os nomes não foram divulgados.
  • Se Flávio cruzou a fronteira.
  • Se o voo decolou. O site argentino iProfesional, que repercutiu o caso, afirma que não é possível confirmar de forma independente nem o embarque nem a decolagem.

O voo decolou?

Há indícios de que não. O jornalista Eduardo Feinmann, da Rádio Mitre, uma das principais emissoras da Argentina, informou que o voo nunca saiu e foi cancelado. A informação foi publicada pelo jornal Los Andes. Até agora, nenhum órgão oficial argentino confirmou ou negou.

O que diz a defesa de Flávio?

Além de Rogério Marinho, o ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, classificou a reportagem como falsa numa publicação no X. Até a publicação deste texto, o próprio Flávio não havia se manifestado sobre a notícia do Infobae.

Na segunda-feira, 26, ao relatar a ordem de Moraes, o senador disse que nunca pensou em sair do país, que entregaria os passaportes e que vai liderar a oposição ao governo Lula.

O que a Polícia Federal diz?

Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a PF não encontrou registro de saída de Flávio em nenhum posto oficial de fronteira do Brasil. Fontes da corporação reconhecem, no entanto, que seria possível atravessar a fronteira sem passar pela fiscalização. Por isso, a PF pediu informações às autoridades argentinas sobre aeroportos do país.

Por que Flávio foi proibido de sair do país?

A decisão de Moraes faz parte de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo próximo dele. Além de proibir a saída do país, a ordem determina a entrega de todos os passaportes, inclusive o diplomático e o italiano, e proíbe contato entre os dois. Segundo relatos, o prazo para a entrega é de 24 horas, o que termina nesta terça-feira.

O pedido de apreensão citou uma declaração do irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos. Na sexta-feira, 23, num podcast americano, Eduardo disse que Flávio deveria deixar o Brasil se perdesse a eleição. Flávio afirma que a decisão de Moraes foi motivada justamente por essa fala, e nega irregularidades nas investigações.

O que acontece se a saída for confirmada?

Se ficar comprovado que Flávio deixou o país, ele terá descumprido uma ordem do STF. Nesse caso, o ministro pode decretar medidas mais duras, inclusive a prisão preventiva. Mas nada disso está confirmado até agora.

Perguntas frequentes

Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil?

Não há confirmação. O Infobae diz que ele teria saído, mas a campanha nega, a PF não encontrou registro de saída em postos oficiais e uma rádio argentina informou que o voo foi cancelado.

Brasileiro pode entrar na Argentina sem passaporte?

Sim. Pelas regras do Mercosul, a carteira de identidade é suficiente. Mas quem tem proibição judicial de sair do país não pode viajar, independentemente do documento.

Qual avião foi citado?

Um Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, da empresa argentina Baires Fly S.A., que pediu liberação para quatro passageiros e três tripulantes, sem nomes divulgados.

Por que Moraes mandou apreender os passaportes de Flávio?

Por causa de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. O pedido também citou a declaração de Eduardo Bolsonaro sobre o irmão deixar o país.

Clique em um parágrafo para avaliar um trecho específico.
Complemento 27/10/2026 às 10:57

Argentina diz que Flávio não entrou no país; senador ainda não foi localizado nem entregou os passaportes

A Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão do governo de Javier Milei responsável pelo controle de fronteiras, informou nesta terça-feira que não há registro de entrada de Flávio Nantes Bolsonaro no país. Um porta-voz do governo argentino repetiu a informação à agência Bloomberg.

Os registros de voo também enfraquecem a versão do Infobae. Segundo dados do Flightradar24 publicados pelo g1 e pela Folha de S.Paulo, o jato Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, decolou de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira e pousou em Puerto Iguazú às 23h45, no horário de Brasília. Não há registro de decolagem depois disso. A ressalva é que operadores de voos particulares podem pedir para ocultar dados nessas plataformas. O portal regional Misiones Online afirmou que a autoridade de aviação civil argentina negou autorização para o voo seguir a Miami, mas essa informação não foi confirmada por outras fontes.

Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, as primeiras checagens da Polícia Federal também não encontraram registro de entrada de Flávio ou de familiares na Argentina.

Paradeiro e passaportes

Mesmo assim, o caso continua sem desfecho. Segundo O Globo, Flávio ainda não havia entregado os passaportes à PF até a manhã desta terça-feira. O senador tinha combinado com os advogados que faria a entrega nesta manhã, quando termina o prazo de 24 horas dado por Moraes. Ainda de acordo com o jornal, nem aliados nem integrantes da própria defesa conseguiram falar com ele, e a assessoria de imprensa não respondeu.

Até a publicação desta atualização, não há confirmação de que Flávio tenha deixado o Brasil, mas ele também não apareceu publicamente nesta terça.

Comentários

Cada comentário ou resposta custa 200 créditos, e 50% vai para a Redação. Depois de publicado, não pode ser editado nem apagado.

Entre para comentar.

Ainda não há comentários.

Usamos apenas cookies essenciais (login, segurança e preferências) e uma contagem anônima de leituras. Não usamos cookies de publicidade. Saiba mais