Prisão de Márcio Canella por elo com o crime organizado respinga em Flávio Bolsonaro e sacode o xadrez político do Rio
Apontado pela PF como operador de lavagem bilionária e elo com milícias na Baixada Fluminense, deputado estadual eleito era aposta de primeira linha do senador, que declarou "apoio 100%" à sua trajetória.
Quando viaturas da Polícia Federal estacionaram nas primeiras horas da manhã para prender Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Vinícius Amim, o impacto transcendeu os limites de Belford Roxo e ecoou diretamente nos gabinetes mais altos da política fluminense. Canella não é um parlamentar qualquer: com quase 200 mil votos computados na disputa recente, o ex-prefeito conquistou o posto de segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, carregando nos ombros o apoio irrestrito e público do senador Flávio Bolsonaro (PL).
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As apurações da corporação e do Ministério Público traçam uma engrenagem em que o crime organizado e a estrutura governamental se confundem. O foco da ofensiva é um esquema bilionário de lavagem de capitais operado através de redes de postos de combustíveis — com movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões identificadas em relatórios do Coaf. Mais do que a movimentação bancária atípica, os inquéritos acusam Canella de abrigar lideranças de organizações paramilitares e parentes diretos de chefes de milícias em cargos comissionados e secretarias da Baixada.
É nessa encruzilhada que a proximidade com Flávio Bolsonaro ganha contornos de crise institucional. Poucos meses antes, quando Canella chegou a articular uma pré-candidatura ao Senado, o filho do ex-presidente foi às redes e palanques cravar "meu apoio integral, 100%". A aliança, desenhada para unificar a base conservadora em redutos eleitorais estratégicos, agora converteu-se em munição para a oposição, que cobra explicações formais sobre o grau de conivência política de parlamentares da direita com figuras recorrentemente flagradas no radar policial — Canella já havia sido detido em flagrante com um fuzil de uso restrito em fase anterior da mesma operação.
A ordem de prisão determinada no âmbito do Supremo Tribunal Federal expõe a erosão da fronteira entre o poder representativo e o domínio territorial de facções e milícias no estado. Enquanto a defesa de Canella contesta as acusações e sustenta a regularidade de sua vida pública, o Palácio Tiradentes e a cúpula do Partido Liberal veem-se forçados a recalcular o preço de acomodar lideranças da Baixada cuja força nas urnas caminha lado a lado com relatórios de inteligência sobre o crime organizado.
Fontes e referências
- Veja (veja.abril.com.br)
- InfoMoney (infomoney.com.br)
- Congresso em Foco (congressoemfoco.com.br)
- Metrópole (metropoles.com)
- Jornal do Brasil (jb.com.br)
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