Prerrogativas aciona PF contra suposto plano de Vorcaro e aliados de Flávio para interferir no segundo turno
Notícia de fato aponta circulação de gravação com acusações sem provas contra Lula e membros do governo; advogados cobram apuração sobre promessa de benefícios penais ao banqueiro.
Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, integrantes do grupo Prerrogativas, protocolaram uma notícia de fato junto à Polícia Federal (PF) cobrando apuração célere sobre uma suposta articulação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a representação, a manobra visaria tumultuar a reta final do segundo turno da disputa presidencial — agendado para 25 de outubro — e desviar o foco das investigações sobre irregularidades financeiras.
O documento aponta que um dispositivo de armazenamento digital (HD), contendo um depoimento atribuído a Vorcaro, teria sido repassado a terceiros com imputações contra ministros de Estado, lideranças do governo e adversários eleitorais de Flávio. A suspeita levantada é que o conteúdo — parte dele divulgado em áudio publicado pela revista Veja — seja propagado às vésperas da votação para atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um momento em que não haveria tempo hábil para checagens ou direito de resposta.
Os juristas ressaltam que não tiveram acesso direto à mídia original e pediram que os peritos da PF certifiquem a autenticidade, a rota e os responsáveis pela produção do registro.
Suposta negociação de entrevistas e promessa de soltura
As suspeitas ganharam força após relatos divulgados pela Folha de S.Paulo de que emissoras de televisão teriam sido procuradas por intermediários de Vorcaro — detido preventivamente desde março — para uma entrevista exclusiva, com prioridade à rede que assegurasse maior espaço de exibição. Qualquer filmagem dentro da penitenciária depende de chancela judicial.
Marco Aurélio, que também compõe a equipe de campanha de Lula, relatou ter recebido informes de que o banqueiro teria sido estimulado a produzir declarações ligando repasses financeiros ao documentário Lula (2024), dirigido por Oliver Stone. O advogado negou peremptoriamente a entrada de recursos do Master na produção cinematográfica e classificou o relato como uma tentativa de forçar uma falsa simetria com as apurações do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Em troca do depoimento, conforme narrado na petição, Vorcaro teria recebido acenos de progressão para prisão domiciliar com monitoramento eletrônico após o pleito, além da libertação imediata de seu pai, Henrique Vorcaro.
Investigação sobre o filme 'Dark Horse' e vínculos financeiros
A iniciativa dos advogados destaca que as relações financeiras entre a família Bolsonaro e o ex-dono do Banco Master já estão sob apuração formal da PF:
- Inquérito no STF: Em julho, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, para apurar repasses de Vorcaro ao filme Dark Horse.
- Valores sob suspeita: Revelações da imprensa apontaram tratativas de Flávio para obter até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para a produção sobre Jair Bolsonaro, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente movimentados. A PF analisa o destino final do montante e eventual financiamento de aliados nos Estados Unidos.
- Versão da defesa: Flávio admitiu ter solicitado apoio financeiro para o projeto, mas negou ilícitos, argumentando tratar-se de recursos de origem privada.
Para os membros do Prerrogativas, a eventual coordenação entre o candidato e o banqueiro buscaria aliviar a pressão jurídica sobre o Banco Master enquanto desgasta a campanha adversária no momento crucial da eleição.
Diligências solicitadas e comunicação ao STF e PGE
A petição solicita à Polícia Federal a execução de medidas investigativas rigorosas, resguardando o sigilo de fonte jornalístico:
- Rastreamento de acessos no presídio: Análise dos livros de registro de visitas, atendimentos jurídicos e controle de aparelhos eletrônicos na unidade prisional nos últimos 90 dias, para verificar se gravações foram executadas no interior do estabelecimento;
- Identificação de intermediários: Mapeamento das pessoas que intermediaram contatos com canais de televisão e apuração de pagamentos ou conexões com a campanha de Flávio;
- Confronto probatório: Comparação do material vazado com os depoimentos oficiais de Vorcaro e os termos de propostas de delação premiada anteriormente rejeitadas por falta de consistência pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A notícia de fato aponta para a possível configuração de crimes como obstrução de investigação penal, denunciação caluniosa e propagação de desinformação com fins eleitorais. Os representantes pediram ainda que o caso seja comunicado formalmente ao gabinete do ministro André Mendonça no STF e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE).
Fontes e referências
- ICL Notícias (iclnoticias.com.br)
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