PF apura que aeronave usada na fuga de Flávio Bolsonaro pertence a operador ligado ao narcotráfico
Aeronave executiva utilizada pelo senador para cruzar a fronteira e deixar o país está registrada em nome de empresa de fachada investigada por lavagem de dinheiro e suporte logístico ao tráfico internacional.
O inquérito da Polícia Federal (PF) que apura a saída irregular do senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) ganhou contornos ainda mais graves nesta quarta-feira (28). Relatórios de inteligência financeira e controle de tráfego aéreo apontam que o jato executivo utilizado para viabilizar a fuga do parlamentar rumo ao exterior possui histórico direto de vinculação com operadores do narcotráfico internacional e lavagem de capitais.
A aeronave, fretada e mantida em hangar discreto para a travessia não documentada da fronteira sul antes do embarque final rumo aos Estados Unidos, está formalmente registrada em nome de uma empresa de fachada sediada no Centro-Oeste. Conforme cruzamento de dados realizado pela Coordenação-Geral de Repressão a Drogas, Armas, Crimes contra o Patrimônio e Facções Criminosas da PF, a companhia proprietária do prefixo já figurava como alvo em investigações sobre blindagem patrimonial de bens e fornecimento de logística aérea para o transporte interestadual e transfronteiriço de entorpecentes.
O levantamento revela que a aeronave em questão vinha sendo monitorada em operações anteriores que miravam esquemas de triangulação de voos em pistas clandestinas e aeródromos privados sem controle aduaneiro. A contratação emergencial do voo, operada nos bastidores logo após a imposição de medidas cautelares pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria sido articulada por intermediários do círculo próximo ao senador e ao advogado Willer Tomaz para driblar os postos formais de fiscalização da PF e da Receita Federal.
O descumprimento da ordem de entrega de passaportes e a utilização de uma aeronave atrelada ao crime organizado aceleraram as providências no Judiciário. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal preparam uma representação conjunta ao STF solicitando a decretação da prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, bem como o sequestro judicial de bens dos operadores e empresas aéreas envolvidas na logística de evasão. Paralelamente, o Ministério da Justiça acionou os canais da Interpol para inclusão do alerta vermelho contra o parlamentar.
A assessoria jurídica de Flávio Bolsonaro, procurada para prestar esclarecimentos sobre a contratação do voo e as conexões societárias da aeronave, não retornou aos contatos da reportagem.
Fontes e referências
- ICL Notícias (google.com)
- Revista Fórum (google.com)
- Polícia Federal (Divisão de Repressão a Crimes Financeiros e Narcotráfico) (gov.br)
- Supremo Tribunal Federal (portal.stf.jus.br)
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