Casa Branca rejeita retórica golpista de Flávio Bolsonaro e orienta senador a ficar "abaixo do radar"
Após fuga para os Estados Unidos e tentativas de contestar o resultado das urnas brasileiras, governo norte-americano fecha portas para articulações de ruptura institucional e evita crise diplomática com Brasília.
A tentativa do senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de construir um palanque internacional nos Estados Unidos para contestar a lisura das eleições brasileiras e insuflar uma ruptura institucional encontrou um muro de gelo em Washington. Interlocutores do Departamento de Estado e assessores diretos da Casa Branca rechaçaram qualquer endosso a narrativas de fraude eleitoral ou manobras de "golpe" contra o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e enviaram um recado direto ao parlamentar: a recomendação expressa para que mantenha discrição absoluta e permaneça "abaixo do radar" enquanto estiver em solo norte-americano.
A reação diplomática ocorre horas após a confirmação de que Flávio deixou o território brasileiro por uma rota não oficial para escapar das medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) — que havia determinado a retenção de seus passaportes e o bloqueio de contatos com o advogado Willer Tomaz em meio aos inquéritos de lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e plataformas de apostas.
Ao desembarcar nos Estados Unidos com o auxílio de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, a expectativa do núcleo bolsonarista era mobilizar alas radicais do Partido Republicano e canais de imprensa conservadores para pressionar o governo norte-americano a questionar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e conceder proteção política formal ao senador. A leitura estratégica da Casa Branca, contudo, caminhou no sentido oposto:
- Reconhecimento imediato das urnas: O governo dos EUA reiterou a validade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, alinhando-se às principais democracias ocidentais que reconheceram o resultado do segundo turno logo após a totalização dos votos.
- Recusa em abrigar articulações golpistas: Autoridades norte-americanas deixaram claro que não tolerarão o uso de seu território como base operacional para ataques às instituições democráticas do Brasil ou para incitação de atos antidemocráticos a distância — conduta que já gerou graves desgastes diplomáticos e judiciais em episódios anteriores, como o 8 de janeiro.
- Preocupação com o passivo criminal: O fato de a ordem do STF contra Flávio Bolsonaro estar fundamentada em crimes financeiros comuns — lavagem de capitais, evasão de divisas, ocultação de patrimônio em offshores e uso de aeronave sob suspeita de vínculo com o narcotráfico — afasta a tese de "perseguição exclusivamente política" que seus aliados tentam emplacar junto a congressistas da Flórida e de Washington.
Segundo fontes diplomáticas, o aviso para que Flávio adote perfil discreto (low profile) visa a evitar que sua presença se transforme em um incidente bilateral de grandes proporções, justamente no momento em que o Ministério da Justiça brasileiro e a Polícia Federal preparam pedidos formais de cooperação jurídica internacional e avaliam o acionamento de difusão vermelha na Interpol. Isolado do centro de decisão da Casa Branca, o senador vê minguar a aposta de converter sua evasão do país em um movimento de resistência internacional.
Fontes e referências
- UOL Internacional / Coluna Jamil Chade (noticias.uol.com.br)
- Diário do Centro do Mundo (diariodocentrodomundo.com.br)
- Brasil 247 (brasil247.com)
- Revista Fórum (revistaforum.com.br)
- ICL Notícias (iclnoticias.com.br)
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