Valdemar admite chance de novo planejamento golpista com Flávio; candidato insiste em alterar a Constituição

Presidente do PL reconhece planos em 2022 e promete anistia ao 8/1; ao lado de Caiado, presidenciável questiona democracia atual e mira maioridade penal, Judiciário e fim da reeleição.

Valdemar admite chance de novo planejamento golpista com Flávio; candidato insiste em alterar a Constituição
(Reprodução/Revista Fórum RSS)

Declarações do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, causaram forte repercussão ao admitir que um eventual governo liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) pode voltar a planejar um golpe de Estado. A fala ocorreu durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, nesta quarta-feira (7).

Valdemar assegurou que o primeiro ato de um mandato de Flávio será conceder anistia ampla a todos os condenados e investigados pelas invasões de 8 de janeiro de 2023. Embora tenha negado que os atos representaram um golpe consumado, o dirigente partidário confirmou abertamente que houve uma articulação golpista no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao ser confrontado se a prática poderia se repetir em um novo governo da família, Valdemar não descartou o cenário:

Jornalista: "O senhor reconhece que houve um planejamento, eles tentaram, o senhor disse isso."

Valdemar: "Eu não tenho dúvidas. Quantos planejamentos que você não faz, que depois você vê que dá errado e você para no meio."

Jornalista: "Quem nos garante que esse planejamento não ocorrerá de novo no eventual governo Flávio? O senhor acha que podem tentar de novo?"

Valdemar: "Sei lá, pode haver planejamento."

Flávio Bolsonaro rebate críticas e detalha proposta de PEC

A declaração do dirigente partidário somou-se ao desgaste provocado por falas recentes do próprio candidato. Na terça-feira (6), Flávio defendeu abertamente a necessidade de alterar a Constituição Federal, gerando alertas entre especialistas e adversários sobre pretensões autoritárias.

Nesta quarta-feira, após reunião com a cúpula da União Progressista, o presidenciável descartou qualquer recuo e apontou os eixos que pretende mudar via Proposta de Emenda à Constituição (PEC):

  • Redução da maioridade penal: Pauta histórica da bancada da segurança pública;
  • Reforma do Judiciário: Limitação e revisão das atribuições dos tribunais superiores;
  • Fim da reeleição executiva: Definição legislativa sobre mandatos de 4 ou 5 anos para presidente e governadores;
  • Alterações tributárias: Revisão de dispositivos recém-aprovados, como o mecanismo de split payment.

Ao defender a iniciativa, o senador afirmou que o país não vive uma democracia plena: "Você acha que o Brasil está numa democracia plena hoje? Reflita. O Brasil está numa democracia plena? Eu vou chegar lá. Agora, a gente tem que respeitar a política".

Apoio de Ronaldo Caiado e ofensiva sobre o Congresso

O movimento político do PL ganhou reforço com o apoio formal de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e candidato derrotado no primeiro turno. Em ato conjunto com a presença da militância, Caiado oficializou sua adesão para a rodada final da disputa:

"Você está no segundo turno. Você tem o meu respeito. Eu vou entrar com você de corpo inteiro, mas por convicção. Flávio, acredite, se tem um homem que quer ver você devolvendo o Brasil aos brasileiros, sou eu. Estarei ao seu lado."

Em seu discurso, Flávio usou o palanque para enviar uma mensagem direta aos blocos do centrão, destacando que a nova composição das duas Casas legislativas dará sustentação total aos seus planos:

"Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição."

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Fontes e referências
  1. Revista Fórum RSS (revistaforum.com.br)
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