Crime organizado: redutos sob jugo de milícias registram mais de 70% de votos para Flávio Bolsonaro no Rio

Cobrança de taxas de segurança, monopólio de botijões de gás, internet clandestina e execuções sumárias impõem coação armada a moradores e consolidam votações recordes para o candidato do PL em bairros da Zona Oeste e da Baixada.

Crime organizado: redutos sob jugo de milícias registram mais de 70% de votos para Flávio Bolsonaro no Rio
(Milícia RJ News)

No cotidiano de quem vive em bairros como Rio das Pedras, Campo Grande, Santa Cruz ou em municípios da Baixada Fluminense, a autoridade do Estado é uma lembrança distante, substituída pela disciplina de ferro de grupos paramilitares armados. O controle territorial exercido pelas milícias vai muito além da extorsão rotineira sobre o comércio de gás, sinais piratas de televisão e taxas de transporte alternativo: ele se sustenta em um histórico de crimes brutais — que incluem torturas em cativeiros clandestinos, desaparecimento forçado de corpos em cemitérios clandestinos e execuções sumárias de qualquer cidadão que ouse contestar suas ordens.

Essa opressão armada estende seus tentáculos diretamente para o processo político e eleitoral. Relatórios do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) documentam reiteradas denúncias de coação sobre os moradores: cabos eleitorais e candidatos de partidos de esquerda ou de legendas rivais são barrados na entrada das comunidades, faixas e material gráfico são proibidos, e a ordem imposta de cima para baixo determina em quem a comunidade deve votar sob ameaça de represálias físicas ou expulsão de suas residências.

O resultado dessa dinâmica reflete-se com clareza matemática nos boletins de urna. Cruzamentos de dados eleitorais por zonas e seções do primeiro turno revelam que nas áreas com presença hegemônica de milicianos o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) alcançou patamares expressivos, superando com folga a casa dos 70% a 74% dos votos válidos em determinados colégios eleitorais da Zona Oeste da capital e de Belford Roxo e Duque de Caxias.

Especialistas e cientistas políticos destacam que essa alta densidade eleitoral decorre de dois fatores convergentes: a eficácia do curral eleitoral miliciano, que restringe a circulação de adversários e induz o voto coletivo pelo medo, e a adesão ideológica construída ao longo de anos pelo discurso da ordem e de defesa histórica de policiais e ex-agentes de segurança pública envolvidos com essas facções. Enquanto o terror psicológico silencia as periferias, o poder paramilitar consolida sua representação nos escalões mais altos da política nacional.

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Fontes e referências
  1. Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br)
  2. GENI/UFF (geni.uff.br)
  3. Fórum Brasileiro de Segurança Pública (forumseguranca.org.br)
  4. Gaeco/MPRJ (mprj.mp.br)
  5. TRE-RJ - Resultados por Zona Eleitoral (tre-rj.jus.br)
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