Mercado reduz PIB de 2027 e passa a projetar inflação mais alta com Lula no quarto mandato
Analistas revisam cenário após a reeleição, com alertas para preços em alta, juros mais restritivos e atividade econômica mais fraca no próximo ano
Depois da reeleição de Lula, o mercado financeiro começou a refazer as contas para os próximos anos. Segundo a CNN Brasil, os analistas passaram a trabalhar com a hipótese de mais quatro anos do petista no Palácio do Planalto, e o resultado é um cenário menos animador para 2027.
Inflação deve subir no próximo ano
A principal preocupação é com os preços. De acordo com a reportagem, uma sequência de choques inflacionários previstos para 2027 acendeu um alerta entre os economistas. A Lifetime Investimentos, por exemplo, planeja revisar sua estimativa para acima de 5%. A manchete da CNN Brasil chega a falar em inflação de até 6% no ano que vem, mas a leitura completa da análise não estava disponível para conferência integral.
Crescimento mais lento e juros que demoram a cair
Na outra ponta, a expectativa de crescimento também piorou. O Itaú reduziu a projeção de expansão do PIB de 2027 de 1,2% para 0,5%. Segundo o banco, a combinação de juros mais altos e de uma atividade mais fraca ao longo do ano que vem explica a revisão. Para a instituição, a inflação pressionada ainda agrava o quadro de atividade do país.
Esse cenário também complica a vida do Banco Central. Com a inflação em alta e o endividamento de famílias e empresas pesando sobre a economia, fica mais difícil para a autoridade monetária iniciar cortes na taxa básica de juros (Selic), mesmo com a economia desacelerando. Antes da eleição, parte do mercado acreditava em uma trégua maior da inflação no próximo ciclo.
Ex-presidente do BC vê juros altos por mais tempo
O debate ganhou mais uma voz em entrevista ao videocast Stock Pickers, publicada pelo Brasil 247. O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola avalia que a Selic pode continuar em dois dígitos pelo menos até 2028, por causa das dificuldades para controlar as contas públicas. Ele também afirmou que a política monetária sozinha não resolve os desequilíbrios da economia brasileira.
Loyola alertou para um possível círculo vicioso: juros mais altos aumentam a dívida pública, o que gera desconfiança dos investidores e novas pressões sobre as taxas. Por outro lado, ele também prevê que o BC enfrentará cobranças crescentes por juros menores caso a atividade perca força. Ou seja, o dilema entre conter preços e sustentar o crescimento deve seguir na mesa nos próximos meses.
Apesar do quadro preocupante, o debate sobre contas públicas e juros costuma ser o primeiro passo para destravar a confiança. Para o leitor, o recado das análises é claro: as projeções ainda são estimativas, e as decisões do governo e do BC nos próximos meses devem definir se o cenário de 2027 será mais difícil ou mais leve do que o previsto hoje.