FMI prevê desaceleração da economia brasileira, com inflação em queda e desemprego em alta
Organismo projeta crescimento mais fraco em 2026 e 2027, enquanto o Banco Central segue reduzindo a Selic, ainda em patamar elevado
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que a economia brasileira deve perder ritmo nos próximos anos. Segundo reportagem da BBC publicada pelo O Povo nesta quinta-feira (29), o organismo associa essa desaceleração a juros ainda altos, à redução de estímulos fiscais e às incertezas do cenário global.
Juros em queda, mas ainda elevados
O Banco Central vem reduzindo a taxa básica desde o início do ano, e ela já recuou de 15% para 13,75%. Na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), a autoridade monetária afirmou que os juros elevados têm freado a atividade, mas que o corte deve prosseguir de forma gradual para evitar que a inflação volte a subir.
Inflação e desemprego em direções opostas
Pelas projeções do FMI, a inflação brasileira deve cair de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Já a taxa de desemprego deve subir de 6% em 2025 para 6,2% neste ano e 6,8% em 2027, o que indica um mercado de trabalho menos aquecido. Ou seja, o alívio nos preços viria acompanhado de mais pessoas procurando emprego sem encontrar.
Crescimento abaixo da média latino-americana
O PIB brasileiro cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, e os dados mais recentes confirmam que o ritmo está diminuindo. Pelo quarto levantamento seguido, as previsões de crescimento do país caíram nas medianas do boletim Focus, do Banco Central. A estimativa do FMI para o Brasil fica levemente abaixo da projeção para a América Latina, de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027.
Visões diferentes sobre o momento
Nem todos enxergam o cenário com a mesma leitura. Segundo o Banco Central, citado pelo InfoMoney, as incertezas na economia global aumentaram, mas o crescimento brasileiro segue saudável. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) registrou alta de 0,5% do PIB no segundo trimestre de 2026 frente ao primeiro, puxada principalmente pela agropecuária, enquanto indústria e comércio ainda não recuperaram as perdas recentes.
O que observar daqui para frente
Para o leitor, o ponto central é que a trajetória combina dois movimentos: preços mais controlados e juros em queda gradual, mas com menos dinamismo na atividade e no emprego. A expectativa é que os próximos dados de inflação, de desemprego e do Copom mostrem se essa combinação se confirma ou se o cenário se ajusta às projeções do FMI.
Fontes e referências
- O Povo (BBC) (opovo.com.br)
- InfoMoney (infomoney.com.br)
- Ipea - Carta de Conjuntura (ipea.gov.br)