André Lara Resende propõe Selic a 7,5% em um ano e debate sobre juros ganha força

Economista, um dos pais do Plano Real, defende novo conselho para coordenar política fiscal e monetária; proposta deve ser apresentada a Lula nesta semana

André Lara Resende propõe Selic a 7,5% em um ano e debate sobre juros ganha força
(Reprodução/Brasil 247)

O economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, elaborou um plano para reestruturar a condução da política monetária no Brasil e reduzir a taxa básica de juros (Selic) para aproximadamente 7,5% ao ano em 12 meses, segundo reportagem do Brasil 247 publicada em 1º de novembro. A ideia deve ser levada ao presidente Lula ainda nesta semana.

Pelo desenho proposto, a queda não seria abrupta. A transição ocorreria de forma gradual, para evitar turbulências nos mercados, e o Banco Central anunciaria uma trajetória de cortes ao longo de 12 meses até chegar ao patamar de 7,5%, de acordo com a mesma reportagem.

Um conselho para coordenar juros e contas públicas

Outro ponto central é a criação de um novo conselho encarregado de articular decisões fiscais e monetárias. Segundo o Quenty, que também detalhou a proposta, a faixa estrutural sugerida para a Selic ficaria entre 3% e 5,5% ao ano. O cálculo partiria de uma meta de inflação de 3% e de um crescimento potencial estimado em 2,5%.

O timing da discussão chama atenção. A agenda da semana tem a reunião do Copom, marcada para quarta-feira (4), quando o Comitê de Política Monetária decide sobre a Selic. Dados da B3, citados pelo BPMoney, apontam a manutenção dos juros como cenário mais provável para esse encontro.

Ressalvas e críticas

Nem todos enxergam a proposta com entusiasmo. O próprio Quenty lembrou que os números apresentados são projeções do autor e não uma garantia de resultado imediato. Entre os comentários reproduzidos no site, um leitor argumentou que grandes empresas, sobretudo exportadoras, captam recursos em dólar por meio de títulos no exterior, o que faria com que um corte de juros decretado não surtisse efeito automático. Outro comentário ligou o nível de inflação à política de preços da Petrobras para a gasolina. São opiniões de leitores, não análises técnicas oficiais.

Já o Brasil 247 registrou comentários em sentido oposto, avaliando que o dólar em alta beneficia exportadores e dificulta a entrada de importados que concorrem com a produção nacional. Esses pontos mostram que o debate envolve câmbio, dívida pública, crédito e inflação ao mesmo tempo.

O que observar

Por enquanto, a proposta é um plano de um economista e não uma medida do governo ou do Banco Central. O que vale acompanhar nos próximos dias são a decisão do Copom, a reunião entre Lula e Lara Resende e eventuais sinais de como o governo recebe a ideia de um conselho coordenador. Para quem acompanha a economia, qualquer discussão que aponte caminhos para juros mais baixos merece atenção, desde que seja acompanhada de dados e de um cronograma claro.

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Fontes e referências 3

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