Mercado reduz previsão de inflação para 2026 e projeta juros menores até 2027
Boletim Focus do Banco Central aponta IPCA de 5,19% neste ano e Selic de 11,75% ao fim de 2027; próxima edição sai em 3 de novembro
As projeções dos economistas do mercado para a economia brasileira ficaram um pouco mais otimistas nesta semana. Segundo a repercussão do Boletim Focus, do Banco Central, a estimativa de inflação para 2026 caiu para 5,19%. Mesmo com a queda, o índice continua acima do teto de 4,5% do regime de metas, o que mantém a inflação como ponto de atenção para a política monetária.
Juros em trajetória de queda
Os analistas também passaram a enxergar uma Selic mais baixa à frente. De acordo com o mesmo levantamento, a taxa básica deve terminar 2027 em 11,75%. A taxa atual, de 13,75% ao ano, foi fixada na reunião de setembro, segundo a página do Brasil Indicadores que acompanha o histórico da Selic.
Crescimento mais fraco
O otimismo com os preços vem acompanhado de uma previsão mais modesta para a atividade. O Focus projeta alta de 1,80% do PIB em 2026 e de apenas 1,31% no ano seguinte. Ou seja, a economia deve seguir crescendo, mas em ritmo mais lento, o que tende a aliviar pressões sobre os preços e abrir espaço para o corte de juros.
Divergência nos números
Vale um detalhe de leitura: um texto do portal Meelion, que também cita o Focus, indica inflação de 5,22% para 2026, valor um pouco acima dos 5,19% registrados na cobertura do Click Petróleo e Gás. A diferença é pequena, mas mostra que os números variam conforme a data de coleta e a fonte usada. Por isso, vale conferir o relatório oficial do BC antes de tirar conclusões.
Próximos passos
A agenda das próximas semanas é movimentada. A próxima divulgação do Focus está marcada para 3 de novembro. No dia seguinte, o Copom termina sua reunião, a primeira depois da eleição presidencial, segundo o Meelion. Analistas estão divididos entre um corte da Selic para 13,50% e a manutenção em 13,75%.
Para quem acompanha a economia no dia a dia, a leitura geral é de cautela com um sinal positivo: a inflação projetada cai, os juros podem recuar mais adiante e a atividade segue crescendo, ainda que devagar. O próximo teste será ver se as projeções se sustentam nas próximas semanas.