Após reeleição de Lula, mercado eleva projeção de inflação para 2027 e 2028
Pesquisa da BGC Liquidez com cerca de 30 participantes do mercado aponta estimativas mais altas; a meta é de 3% ao ano
Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno realizado em 25 de outubro, o mercado financeiro passou a esperar uma inflação mais alta nos próximos anos. Uma pesquisa da corretora BGC Liquidez, divulgada neste sábado (31), indica que a projeção para 2027 subiu para 5,3%, e a estimativa para 2028 chegou a 4,3%, segundo a reportagem do NC News.
Quanto o mercado passou a esperar
O levantamento ouviu cerca de 30 participantes do mercado, entre gestores de investimentos e profissionais de tesourarias de bancos. Para 2028, a previsão saiu de 3,75% e foi para 4,3%, uma alta de 0,55 ponto percentual, de acordo com os dados divulgados.
A meta de inflação do país é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Assim, a estimativa de 4,3% para 2028 ainda cabe dentro dessa faixa, mas fica acima do centro da meta.
Por que o cenário mudou
Segundo a análise publicada pelo NC News, a reeleição fez parte do mercado rever a forma como imagina a condução da economia a partir de 2027. Quando as expectativas de preços sobem, o Banco Central tende a ter mais dificuldade para reduzir a taxa básica de juros, o que pode frear a queda do custo do crédito.
O cenário também traz pressão do câmbio. Conforme a mesma reportagem, a alta do dólar pode encarecer produtos importados e matérias-primas usadas pela indústria, e a moeda americana registrou sua maior alta desde a crise de 2008. Já o Circuito MT informou que, na semana, o dólar acumulou alta de 9,15%, enquanto o Conexão Itajubá apontou 9,04%, uma divergência pequena entre as fontes.
Mercado em queda e expectativa por nova equipe
O Ibovespa também sofreu no fim do mês. Segundo o Circuito MT, o índice caiu 18,12% na semana, e o Conexão Itajubá registrou que a bolsa encerrou a sexta-feira (30) em queda pela quinta vez seguida. Para o Circuito MT, parte da ansiedade dos investidores se concentra na definição da nova equipe econômica e em medidas concretas de contenção de gastos públicos.
Uma visão mais otimista
Nem todos os analistas veem o quadro só com preocupação. O economista Eloni Salvi, ouvido pelo Grupo A Hora, afirma que indicadores como o desempenho das exportações, as contratações e a atividade da construção civil mostram setores em movimento. Ele, porém, cobra do governo um programa de redução do déficit com metas e prazos claros, além de avanços em educação, tecnologia e produtividade.
Por ora, o aumento das expectativas de inflação ainda depende do desempenho da economia nos próximos anos, como lembra a própria pesquisa. Acompanhar os próximos sinais de contas públicas e de preços será decisivo para saber se o mercado terá motivos para recuar.