Dólar fecha a R$ 5,44 com maior alta semanal desde 2008 e Ibovespa cai pela quinta sessão

Mercado reage à reeleição de Lula e às dúvidas sobre a política fiscal do próximo governo; Ibovespa fecha outubro com queda de quase 10%

Dólar fecha a R$ 5,44 com maior alta semanal desde 2008 e Ibovespa cai pela quinta sessão
(Reprodução/Agência Brasil (republicada pelo Jurua24horas))

O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro em clima de forte pressão. Na sexta-feira (30), o dólar comercial subiu cerca de 1% e fechou perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167,9 mil pontos, segundo a Agência Brasil. Outras fontes dão números ligeiramente diferentes: o Conexão Itajubá informa que a moeda americana terminou o dia cotada a R$ 5,44, e a Agência Brasil também registrou fechamento de R$ 5,446 em outro trecho da mesma reportagem.

Na semana, a alta do dólar superou 9%, o maior avanço semanal desde a crise financeira de 2008, de acordo com a Agência Brasil. Já o principal índice da B3 teve sua pior semana desde março de 2020, início da pandemia de covid-19. A consultoria Elos Ayta calculou que as empresas listadas na bolsa perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado entre segunda (26) e sexta-feira (30). A Folha do Estado arredondou essa perda para quase R$ 1 trilhão.

Quinta queda seguida e balanço de outubro

Foi o quinto pregão consecutivo de baixa do Ibovespa, que terminou outubro com desvalorização de 9,88%, conforme o Conexão Itajubá. Em outubro, o dólar acumulou alta de cerca de 5,2% a 5,3%, dependendo da fonte consultada. Entre as ações, os papéis da Vale avançaram após a divulgação de resultados trimestrais, enquanto os da Usiminas estiveram entre as maiores quedas do dia.

O que pesa sobre o mercado

Segundo a Agência Brasil, o movimento está ligado aos ajustes do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), somados a incertezas sobre a política fiscal do país. A Folha do Estado também aponta que a reação atingiu os juros futuros, que dispararam, e reflete dúvidas sobre a política econômica do próximo mandato.

Os investidores aguardam a definição da equipe econômica que assumirá em 2027 e a apresentação de medidas voltadas às contas públicas. Para o Conexão Itajubá, o desempenho negativo também sofreu influência do cenário internacional, o que mostra que a turbulência não nasce apenas de fatores internos.

Reação política

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou o momento em uma transmissão ao vivo feita dos Estados Unidos na sexta-feira (30). Segundo o Blog do Elias Hacker, ele afirmou que o país enfrenta um cenário econômico preocupante e comparou a situação à do governo Dilma Rousseff em 2014 e 2015, dizendo que ela estaria "muito pior". O próprio blog ressalta que essa avaliação é política, e não uma previsão econômica confirmada.

O Itabira Online também registrou que o Ministério da Economia não foi citado como fonte de previsões, e que o desempenho da economia depende de decisões fiscais e monetárias, atividade, inflação e cenário internacional. Ou seja, o recado dos analistas é de cautela, não de certeza sobre o rumo dos próximos meses.

Apesar do tom pesado do pregão, é importante lembrar que a bolsa e o câmbio reagem rapidamente a expectativas, e não apenas aos dados concretos da economia. Com a definição da equipe econômica e um plano claro para as contas públicas, o mercado tem espaço para recuperar parte das perdas. Até lá, a recomendação de quem acompanha o tema é observar os próximos anúncios do governo eleito com atenção.

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Fontes e referências 4

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