R$ 8,3 milhões para voos que não existem: mais de 58% das emendas Pix de Flávio Bolsonaro foram para aeroporto fantasma em Resende

Pareceres técnicos do governo federal apontam que o terminal municipal não integra o Plano Aeroviário Nacional; obra teve aditivos de quase 40% em empreiteira flagrada em terreno privado de aliado político.

R$ 8,3 milhões para voos que não existem: mais de 58% das emendas Pix de Flávio Bolsonaro foram para aeroporto fantasma em Resende
(ICL Notícias)

O uso de emendas parlamentares na modalidade de transferência especial — o chamado "orçamento Pix", marcado pela baixa rastreabilidade e repasses diretos a contas de prefeituras — revelou uma concentração incomum no mandato do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Das 12 emendas Pix executadas pelo parlamentar desde 2019, sete foram canalizadas para um único destino: o Aeroporto Municipal Brigadeiro Newton Junqueira Villa Forte, localizado em Resende, cidade natal do senador no sul do estado do Rio de Janeiro.

O montante destinado à reforma do aeródromo totalizou R$ 8,3 milhões, o que representa 58,33% de todas as emendas individuais desse formato enviadas a projetos municipais específicos (e mais de 42% do volume total de recursos sob sua cota de transferências especiais). O empreendimento, no entanto, opera sem qualquer linha de voo comercial regular, servindo prioritariamente a pousos de táxi aéreo e aeronaves privadas de autoridades políticas e empresários em trânsito pela região.

Relatórios técnicos obtidos na plataforma Transferegov expõem a falta de prioridade pública do projeto. Pareceres emitidos pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias do governo federal anexados a todas as sete emendas de Flávio atestam expressamente que o terminal de Resende está fora do Plano Aeroviário Nacional (PAN) e que os repasses não foram supervisionados pela Secretaria Nacional de Aviação Civil, o que desqualifica a obra como investimento estratégico para a integração da malha aérea brasileira.

As execuções contratuais na prefeitura de Resende também acumulam controvérsias. As obras foram tocadas pelas empreiteiras Valle Sul Construtora e Mineradora Ltda e Metrol Engenharia Ltda para supostos serviços de recapeamento asfáltico, balizamento noturno e novo terminal de passageiros. No decorrer do cronograma, o contrato com a Valle Sul foi aditivado em mais de 38%. A construtora chegou a ser flagrada pela imprensa com maquinário pesado trabalhando no interior de uma propriedade privada de Renato Araújo, empresário filiado ao PL e aliado pessoal de Flávio Bolsonaro.

O caso insere-se no escrutínio sobre a distribuição de mais de R$ 307 milhões em emendas operadas pelo gabinete de Flávio no Senado desde 2019. Entre os repasses sob análise de órgãos de controle e da Polícia Federal figuram verbas destinadas a projetos indicados por operadores com trânsito em gabinetes milicianos da Baixada e do interior fluminense, reforçando suspeitas de direcionamento político de verbas federais para redutos eleitorais e aliados do clã.

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Fontes e referências
  1. Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (resende.rj.gov.br)
  2. Revista Piauí (piaui.folha.uol.com.br)
  3. CGU - Painel de Emendas Parlamentares (portaldatransparencia.gov.br)
  4. Transferegov (gov.br)
  5. ICL Notícias (iclnoticias.com.br)
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