"Não serei boi de piranha": em entrevista-bomba à CNN, Roberta Luchsinger anuncia delação e promete expor cúpula do governo e Lulinha
Após ser rotulada de "pilantra" pelo presidente Lula, empresária e lobista quebra o silêncio na TV, detalha contratos bilionários e encontros em Brasília, avisando que não poupará ninguém na Justiça.
No horário nobre da televisão brasileira e a uma semana do segundo turno, a empresária e lobista Roberta Luchsinger concedeu uma entrevista que provocou um terremoto político em Brasília. Ao vivo na CNN Brasil, após ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negar conhecê-la e classificá-la publicamente como "pilantra" em rede nacional, ela rompeu os vínculos com o núcleo petista, anunciou que firmará um acordo formal de delação premiada com o Ministério Público Federal e garantiu que apresentará provas documentais sobre negócios do entorno presidencial.
A declaração mais contundente de Roberta girou em torno de sua relação com Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), a quem tratava como amigo íntimo e sócio em articulações corporativas. "Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade. Não serei eu o boi de piranha", disparou a empresária durante a transmissão. Ela relatou como funcionava o trânsito entre gabinetes da Esplanada dos Ministérios e o setor privado, citando contratos de grande envergadura — entre eles, negociações da empreiteira portuguesa Mota-Engil estimadas em cerca de R$ 2 bilhões, cuja aproximação teria sido facilitada pela intermediação política e laços pessoais com o filho do chefe do Executivo.
A entrevista desmoronou a estratégia de contenção de danos adotada pelo Palácio do Planalto. Enquanto o governo tentava isolar o caso como uma conduta marginal de uma intermediária sem acesso institucional, Roberta expôs trocas de mensagens, registros de agendas e fotos que comprovam sua presença no Palácio do Planalto, voos em aeronaves oficiais e até o suporte prestado na mudança de Lulinha para a Espanha. A lobista contestou ponto a ponto a negativa de Lula: chamou a versão oficial de mentirosa e reiterou que todas as movimentações financeiras, jantares e reuniões que agora estão sob a mira de inquéritos no Supremo Tribunal Federal eram de pleno conhecimento dos articuladores do partido.
Com o anúncio da delação premiada na esteira das investigações da Polícia Federal, o depoimento de Roberta transforma-se na peça mais explosiva da reta final das eleições, transferindo a crise dos gabinetes policiais diretamente para o centro do debate político entre governistas e oposição.
Fontes e referências
- Youtube CNN Brasil (youtube.com)