Em barganha pelo comando do Senado, Alcolumbre articula indulto ou anistia a Jair Bolsonaro em troca de votos da direita

Presidente do Senado busca costurar acordo com a oposição e o Palácio do Planalto para conter pedidos de impeachment contra ministros do STF e pavimentar sua reeleição na Casa em 2027.

Em barganha pelo comando do Senado, Alcolumbre articula indulto ou anistia a Jair Bolsonaro em troca de votos da direita
(Lula Marques/Agência Brasil)

Menos de 72 horas após o encerramento do segundo turno presidencial, as engrenagens de bastidores no Congresso Nacional já se voltaram integralmente para a sucessão das mesas diretoras. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passou a articular uma proposta de indulto presidencial ou aprovação de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o objetivo de assegurar os votos da bancada conservadora à sua reeleição para o comando da Casa legislativa em fevereiro de 2027.

O desenho da negociação, revelado pela Folhapress e confirmado por interlocutores do parlamentar, fundamenta-se no peso que a oposição terá na nova composição do Congresso. Com a formação da bancada que assume na próxima legislatura — onde o Partido Liberal (PL) reunirá sozinho 29 senadores, somados aos votos do Partido Novo e de fatias conservadoras do PP e Republicanos —, a direita tornou-se uma força determinante para a definição da presidência do Senado, disputada também por nomes alternativos como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).

Para quebrar a resistência desse bloco e viabilizar sua permanência por mais dois anos, o plano desenhado por Alcolumbre opera sob a lógica da troca de concessões:

  1. Solução jurídica para Bolsonaro: A construção de uma saída penal para o ex-presidente, seja por meio de um decreto de indulto humanitário negociado junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja por meio da tramitação de um projeto de anistia no Congresso com alcance restrito à esfera criminal, mantendo as restrições de elegibilidade eleitoral para reduzir resistências na base governista.
  2. Blindagem do Supremo Tribunal Federal (STF): Em contrapartida, os parlamentares da oposição se comprometeriam a retirar ou engavetar a ofensiva por pedidos de abertura de processo de impeachment contra ministros da Corte — em especial Alexandre de Moraes —, canalizando o debate institucional para discussões sobre reformas regimentais e mandatos no Judiciário.

A articulação, entretanto, enfrenta barreiras políticas e jurídicas severas. Enquanto setores da direita veem a promessa com ceticismo devido ao histórico de alinhamento pragmático de Alcolumbre com o Executivo, lideranças governistas e juristas advertem que qualquer anistia voltada a crimes contra o Estado Democrático de Direito enfrenta forte probabilidade de veto presidencial e de imediata anulação por inconstitucionalidade perante o próprio plenário do Supremo Tribunal Federal.

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Fontes e referências
  1. Brasília in Foco (brasiliainfoco.com)
  2. Estado de Minas / Folhapress (em.com.br)
  3. Portal 98 FM Natal (98fmnatal.com.br)
  4. Revista Fórum (revistaforum.com.br)

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