Dois pesos, duas medidas: Nunes Marques atua para suspender canal de Janones, mas ignora ofensiva de perfis ligados a Flávio

Decisões monocráticas do ministro no TSE determinam bloqueios e remoções de publicações da militância governista sob pretexto de desordem informacional, enquanto representações contra o ecossistema bolsonarista seguem travadas na gaveta.

Nunes Marques
Nunes Marques (Valor Econômico)

A atuação do ministro Kassio Nunes Marques na presidência e na relatoria de processos estratégicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acendeu alertas na reta final da disputa presidencial. Em uma sequência de despachos monocráticos, o magistrado determinou medidas severas contra canais e perfis alinhados à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — com destaque para as transmissões e redes do deputado federal André Janones —, ao mesmo tempo em que adota uma postura inerte diante de representações idênticas protocoladas contra redes digitais e influenciadores diretamente conectados ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

A ofensiva mais recente mirou transmissões ao vivo e conteúdos em que Janones explorava denúncias sobre os negócios do clã e declarações de figuras ligadas à oposição. Sob a justificativa de conter a "propagação descontextualizada de fatos negativos" e preservar a integridade do processo eleitoral, Nunes Marques acolheu pedidos liminares da coligação do PL para restringir o alcance e ordenar a exclusão imediata de postagens, sob pena de multas diárias pesadas às plataformas.

Em contrapartida, a tramitação de ações movidas pelo núcleo jurídico do PT contra o aparato de comunicação bolsonarista expõe uma assimetria gritante. Petições que apontam a circulação massiva de vídeos adulterados por inteligência artificial, impulsionamentos ilegais e montagens difamatórias em canais de grande alcance vinculados à campanha de Flávio continuam sem análise liminar de urgência ou foram enviadas para manifestações burocráticas de praxe, sem qualquer ordem de suspensão prévia.

A conduta do magistrado provocou forte reação de advogados eleitoralistas e parlamentares, que apontam claro conflito de interesses na condução dos julgamentos. Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o apoio direto e a articulação aberta de Flávio Bolsonaro e de interlocutores como Willer Tomaz, vem sendo acusado de atuar como um filtro de conveniência política na Corte Eleitoral: sufoca a capacidade de reação digital da chapa adversária nos dias mais decisivos do pleito, enquanto mantém intacta a engrenagem de desinformação do candidato que o apadrinhou em Brasília.

Clique em um parágrafo para avaliar um trecho específico.
Fontes e referências
  1. G1 Política (g1.globo.com)
  2. Folha de S.Paulo (www1.folha.uol.com.br)
  3. ConJur (conjur.com.br)
  4. Revista Fórum (revistaforum.com.br)
  5. Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br)

Usamos apenas cookies essenciais (login, segurança e preferências) e uma contagem anônima de leituras. Não usamos cookies de publicidade. Saiba mais