Ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma ter pago R$ 30 milhões em dinheiro vivo para documentário sobre Lula

Em tratativas de delação premiada, controlador do Banco Master alegou repasses para tentar acessar aportes de fundos de estatais; PGR arquivou o anexo por falta de provas, e presidente nega acusações.

Sede do Banco Master em meio a investigações
Sede do Banco Master em meio a investigações (Bloomberg / Bloomberg via Getty Images)

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou em negociações com a Justiça ter destinado aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para o financiamento de um documentário internacional sobre a vida e trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A revelação consta em áudios e registros documentais obtidos pela revista Veja.

Segundo a versão apresentada pelo banqueiro, o pagamento teria funcionado como contrapartida para destravar negócios e credenciar a instituição financeira a captar recursos bilionários junto a fundos de pensão de estatais federais. O filme mencionado trata-se da produção dirigida pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. Vorcaro mencionou ainda a existência de um repasse de valor não detalhado diretamente ao Instituto Lula.

Suposta ponte com João Vaccari e negociação com fundos de pensão

De acordo com o depoimento prestado pelo empresário, as tratativas teriam sido iniciadas por seu então sócio, Augusto Lima, que buscou interlocução com o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto.

O objetivo do banco era obter a chancela necessária para captar ativos sob gestão de entidades de previdência fechada ligadas a gigantes estatais:

  • Previ (Banco do Brasil);
  • Funcef (Caixa Econômica Federal);
  • Petros (Petrobras);
  • Postalis (Correios).

Pela narrativa do delator, a viabilização do canal dependia do aporte de cerca de R$ 30 milhões para o longa-metragem biográfico e de um pagamento de comissão de 10% sobre o montante que a instituição conseguisse levantar dentro desses fundos. Vorcaro mencionou também ter mantido reuniões enquanto pleiteava os contratos e citou contatos com assessores ligados ao então ministro Alexandre Padilha. Embora relatórios da Polícia Federal apontem trocas de mensagens entre o banqueiro e interlocutores citados, as conversas não confirmam, por si sós, os fatos descritos por ele.

PGR não avança com anexo e citados rechaçam versões

As declarações foram apresentadas por Daniel Vorcaro à Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito de uma proposta de colaboração premiada. Contudo, o Ministério Público Federal decidiu não prosseguir com a apuração formal desse capítulo específico devido à ausência de elementos probatórios consistentes que comprovassem as entregas em espécie.

A defesa técnica do banqueiro contesta o descarte do anexo e sustenta ter reunido diálogos eletrônicos, comprovantes de saques em moeda corrente e o mapeamento dos itinerários empregados na suposta distribuição dos montantes.

Em resposta aos apontamentos:

  • Luiz Inácio Lula da Silva: Negou enfaticamente ter solicitado, negociado ou recebido qualquer benefício financeiro de Vorcaro, reforçando que jamais autorizou terceiros a captar fundos em seu nome;
  • Alexandre Padilha e Olavo Noleto: Rechaçaram qualquer vínculo ou tratativa de natureza irregular com o comando da instituição financeira.

Como não foram acolhidas ou corroboradas pelo Ministério Público, as suspeitas permanecem restritas à versão unilateral apresentada pelo empresário em sua tentativa de acordo judicial.

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Fontes e referências
  1. Brasil Paralelo (brasilparalelo.com.br)

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