Radiotelescópio detecta ondas de rádio em exoplaneta a 63 anos-luz da Terra em indício inédito de campo magnético
Captados pelo observatório MeerKAT na África do Sul, os sinais vindos de Beta Pictoris b abrem caminho para avaliar a proteção atmosférica e a habitabilidade fora do Sistema Solar.
Cientistas detectaram emissões de ondas de rádio originadas no exoplaneta Beta Pictoris b, corpo celeste situado a 63 anos-luz de distância da Terra. Segundo reportagem do The New York Times, os sinais foram registrados pelo radiotelescópio MeerKAT, localizado na África do Sul, e indicam a provável presença de auroras geradas por um campo magnético ativo — marco que, se validado, representará a primeira identificação direta de uma magnetosfera em um planeta fora do Sistema Solar.
O trabalho foi divulgado em setembro em uma plataforma de pré-publicação científica aberta e ainda aguarda a conclusão da revisão por pares (peer review).
O papel do escudo magnético na busca por vida
A confirmação de um campo magnético robusto em outros sistemas planetários é considerada um dos pilares centrais na investigação sobre vida extraterrestre. É essa barreira invisível que resguarda a camada atmosférica contra a erosão causada pela radiação estelar e mantém as condições climáticas de superfície equilibradas. No caso da Terra, é o campo magnético que impede que o vento solar destrua a biosfera.
A observação de sinais em Beta Pictoris b começou na virada de 2025 para 2026, sob condução de Kevin Ortiz Ceballos, pesquisador do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, ao lado de sua equipe. Utilizando o arranjo de 64 antenas de alta sensibilidade do MeerKAT, os astrônomos identificaram padrões atípicos de emissão de rádio. Ao recalibrar os instrumentos em direção ao alvo, os dados revelaram o que Ceballos definiu como uma "atividade magnética muito forte".
Janela para o núcleo planetário e habitabilidade
Além de balizar o potencial de sustentação biológica, o rastreamento dessas ondas fornece uma ferramenta inédita para sondar a geologia interna de mundos distantes. Em corpos planetários, a blindagem magnética costuma ser alimentada pelo movimento de convecção e rotação de um núcleo metálico aquecido, sugerindo dinâmicas semelhantes no interior de Beta Pictoris b.
As etapas seguintes do projeto concentram-se em:
- Confirmar de forma inequívoca que a assinatura de rádio decorre exclusivamente da interação de auroras polares no exoplaneta;
- Mensurar a intensidade do escudo protetor e sua eficácia contra a estrela-mãe;
- Determinar o grau real de habitabilidade das camadas atmosféricas do planeta.
Fontes e referências
- Google Ciências (braziljournal.com)