Pagani Huayra 70 Anima: o último Huayra da trilogia tem câmbio manual, V12 e pintura com pó de diamante
Exemplar único revelado em Las Vegas fecha a série que comemora os 70 anos de Horacio Pagani. Por baixo da carroceria ousada está uma receita cada vez mais rara: motor a combustão, tração traseira e três pedais.
Hoje, os hipercarros costumam ser medidos em quilowatts de motores elétricos e em décimos de segundo de 0 a 100 km/h. A Pagani apresentou um cujo detalhe mais comentado é uma alavanca de câmbio. O Pagani Huayra 70 Anima foi revelado em 31 de outubro no Concours at Wynn Las Vegas, nos Estados Unidos. Ele tem um V12 biturbo, câmbio manual de sete marchas com a articulação da alavanca à mostra e pedal de embreagem. É um carro feito para ser dirigido com as mãos e os pés, e não apenas pilotado por algoritmos.
O Anima é o terceiro e último carro da série Huayra 70, criada para comemorar os 70 anos de Horacio Pagani, fundador da marca. Como os outros dois, é um exemplar único, feito pela Grandi Complicazioni, a divisão de projetos sob encomenda da fábrica de San Cesario sul Panaro, na Itália. O próprio Horacio apresentou o carro, dez dias antes de completar 71 anos, em 10 de novembro.
Por fora: o mais extremo dos três
O nome Anima significa “alma” em italiano. Visualmente, é o mais radical da trilogia. A carroceria mistura fibra de carbono aparente com uma pintura metálica feita com pó de diamante, filetes em folha de platina e detalhes em azul profundo, que também contornam os faróis.
A aerodinâmica também vai além dos irmãos. Há uma grande tomada de ar no teto que termina em uma barbatana, no estilo dos protótipos de Le Mans, além de santantônios individuais, asa traseira fixa, um difusor grande e saídas de ar na traseira. O escapamento tem seis saídas com acabamento cerâmico branco.
Como avaliadora, preciso ser honesta: não é o desenho mais limpo que a Pagani já fez. Quem gosta da pureza do Huayra original ou do equilíbrio do Zonda pode achar que há vincos e apêndices demais. Mas o objetivo aqui não era agradar a todos. Segundo a marca, o carro foi desenvolvido durante mais de um ano em conversas com o cliente, que realizou o sonho de infância de criar um carro junto com Horacio Pagani. Em um exemplar único, o gosto do dono é a especificação.
Por dentro e por baixo: o que já se conhece
O interior combina couro claro com detalhes em azul, peças de alumínio usinadas a partir de blocos maciços e a coleção de comandos e mostradores que é marca registrada da Pagani.
A estrutura é a mesma dos outros Huayra: monocoque de carbono e titânio, painéis de carroceria novos em fibra de carbono, amortecedores eletrônicos interligados e freios Brembo com discos de carbono-cerâmica.
Há uma questão em aberto sobre o motor. A Pagani não divulgou oficialmente a potência do Anima. A expectativa é que ele use o mesmo V12 6.0 biturbo da Mercedes-AMG da edição Epitome, homologado com cerca de 864 cv (852 hp) e 1.100 Nm de torque, os números também atribuídos ao Huayra 70 Derecho. Alguns veículos internacionais já publicaram esses dados como certos. Por enquanto, a postura correta é tratá-los como prováveis, não como confirmados. O mesmo vale para a velocidade máxima, que na Derecho é limitada eletronicamente a 350 km/h. A marca não divulgou o tempo de 0 a 100 km/h nem o preço.
A trilogia completa
| Huayra 70 TrionfoHuayra 70 DerechoHuayra 70 Anima | |||
| Estreia | Primeiro da série | Goodwood, julho/2026 | Wynn Las Vegas, outubro/2026 |
| Destaque | Encomenda da Barchetta Collection (Cincinnati, EUA) | Roadster laranja perolado com azul | Pintura com pó de diamante e tomada de ar no teto |
| Câmbio | Manual de 7 marchas | Manual de 7 marchas | Manual de 7 marchas |
Os três carros apareceram juntos em público pela primeira vez no evento de Las Vegas.
Por que isso importa
O Huayra nasceu em 2011 e, em tese, já tinha sido substituído pelo Utopia, lançado em 2022. Mesmo assim, edições especiais continuam surgindo. Em pouco mais de um ano vieram o Codalunga Speedster, o Huayra R Evo e agora a trilogia 70.
Isso diz muito sobre esse mercado. No topo da pirâmide, onde o preço não é uma preocupação, os colecionadores estão pedindo exatamente o que o resto da indústria está abandonando: motor V12 a combustão, câmbio manual e envolvimento mecânico. A eletrificação domina as fichas técnicas dos lançamentos, mas o prestígio, pelo menos neste segmento, ainda vem do ronco do motor e do engate da marcha.
Do ponto de vista técnico, o Anima não traz nada realmente novo. Ele é a combinação de soluções que a Pagani já tinha mostrado em outros modelos. Seu valor está no acabamento artesanal, na personalização e no simbolismo, não no cronômetro. Para quem procura recordes de pista, existem outros carros, inclusive da própria Pagani. Para quem procura uma escultura que funciona como carro, este é um dos melhores exemplos atuais.


