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28,6% em um dia: previsão fraca, crise dos PCs e explosão em fábrica derrubam a Intel ao pior pregão desde 1974

A fabricante de chips perdeu cerca de US$ 140 bilhões em valor de mercado na sexta-feira (30), um dia depois de projetar um fim de ano abaixo do esperado. A queda contaminou todo o setor de semicondutores e custou US$ 12 bilhões ao governo dos EUA, sócio da empresa.

28,6% em um dia: previsão fraca, crise dos PCs e explosão em fábrica derrubam a Intel ao pior pregão desde 1974
(NMS Brasil)
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As maiores quedas diárias das ações da Intel
0%10%20%30%Julho de 1974 — Valores: 29,6%29,6%30 de outubro de 2026 — Valores: 28,6%28,6%Agosto de 2024 — Valores: 26%26%Julho de 197430 de outubro de…Agosto de 2024
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Valores
Julho de 197429,6%
30 de outubro de 202628,6%
Agosto de 202426%

As ações da Intel caíram 28,6% na sexta-feira (30) e fecharam a US$ 65,76, na maior queda diária da empresa desde julho de 1974. Durante o pregão, chegaram a recuar 30% e a tocar US$ 64,11. O tombo superou o de agosto de 2024, quando os papéis perderam 26% depois que a empresa anunciou prejuízo e demissões.

A queda foi provocada pela previsão de resultados para o quarto trimestre, divulgada na quinta-feira (29), depois do fechamento do mercado. Já no pregão eletrônico daquela noite, as ações perderam mais de 22%.

A previsão para o fim do ano ficou bem abaixo do esperado

A Intel projetou receita de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões para o quarto trimestre, abaixo dos cerca de US$ 17 bilhões esperados pelos analistas. Para o lucro ajustado por ação, a previsão foi de US$ 0,25, contra US$ 0,43 esperados pelo mercado. Pela contabilidade padrão, a projeção é de US$ 0,10 por ação.

O contraste com o trimestre que acabou de passar foi grande. No terceiro trimestre, a Intel teve lucro ajustado de US$ 0,52 por ação, 30% acima do previsto pelos analistas, e receita de US$ 16,51 bilhões, alta de 21% em um ano. Mas os investidores olharam para frente, e não para trás.

O mercado de PCs, o maior negócio da Intel, está encolhendo

Os processadores para computadores pessoais continuam sendo o principal negócio da Intel, e esse mercado está em crise. As vendas mundiais de PCs caíram 21% no terceiro trimestre, pressionadas pela disparada no preço das memórias, que encarece os computadores e reduz a margem dos fabricantes. A Intel prevê queda de 12% nas vendas de PCs neste ano e de mais 10% no ano que vem, e disse que só espera melhora quando a oferta e os preços das memórias se normalizarem.

Uma explosão em Israel tirou receita e margem da empresa

Uma explosão na Fab 28, fábrica da Intel em Kiryat Gat, em Israel, paralisou a produção. Segundo a empresa, o episódio deve reduzir a receita do quarto trimestre em cerca de US$ 300 milhões e diminuir a margem bruta em cerca de 2 pontos percentuais. O impacto se concentra nos chips para servidores, os de maior margem. A Intel também relatou falta de chips para servidores.

A alta de 150% no ano deixou pouco espaço para decepção

Antes do balanço, as ações da Intel acumulavam alta de cerca de 150% em 2026, puxadas pela demanda por processadores usados em aplicações de inteligência artificial que funcionam como “agentes”, capazes de executar tarefas sozinhas. Entre janeiro e o recorde de junho, os papéis quase quadruplicaram. Com expectativas tão altas, qualquer sinal de fraqueza pesa mais.

No mesmo dia, quatro bancos e corretoras rebaixaram a recomendação das ações para neutra: Bank of America, D.A. Davidson, Seaport e Roth. Para Jay Goldberg, analista da Seaport Research Partners, a queda mostra que os investidores perderam a confiança na gestão da empresa. O resultado é um revés para o presidente-executivo Lip-Bu Tan, no cargo desde março de 2025 com a missão de recuperar a Intel depois que ela perdeu os primeiros anos da corrida da inteligência artificial.

A queda contaminou todo o setor de chips

A previsão da Intel chegou num momento em que investidores já questionam se os investimentos bilionários em inteligência artificial vão dar retorno. Um dia antes, a Alphabet, dona do Google, tinha tido o pior pregão de sua história. Na sexta, a Nasdaq caiu 2,9% e o S&P 500, 1,8%, os piores dias desde junho. O índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia recuou 7,2%, e ações como Nvidia, AMD, Broadcom e Micron também caíram. Em outubro, as empresas americanas de inteligência artificial e de chips perderam cerca de US$ 5 trilhões em valor de mercado. A Intel sozinha perdeu US$ 247 bilhões no mês, metade do seu valor.

O governo dos Estados Unidos, que comprou cerca de 10% da Intel em 2025 por incentivo do presidente Donald Trump, viu sua participação perder cerca de US$ 12 bilhões no papel. Mesmo assim, o investimento continua dando lucro.

Contraponto

Nem tudo na Intel vai mal. A empresa superou as projeções de lucro no terceiro trimestre, e os negócios de data centers e inteligência artificial têm desempenho forte. Parte da queda reflete fatores de curto prazo, como a explosão em Israel e o preço das memórias, e não necessariamente um problema estrutural.

Há também um efeito contábil curioso. Pelo acordo com o governo americano, a Intel registra em seu balanço uma obrigação que varia com o preço das ações. Segundo cálculos simplificados do site Benzinga, a queda de sexta pode gerar um ganho contábil de cerca de US$ 3,4 bilhões antes dos impostos. No segundo trimestre, quando as ações subiam, o mesmo mecanismo produziu uma perda de US$ 12,5 bilhões. É um efeito no papel, que não muda o caixa da empresa.

O que observar

Nas próximas semanas, os sinais mais importantes são a velocidade com que a Intel retoma a produção na fábrica de Israel, a evolução do preço das memórias, que define o ritmo de recuperação do mercado de PCs, e a reação de outras fabricantes de chips quando divulgarem seus próprios balanços. Também vale acompanhar se o governo americano, sócio da empresa, vai se manifestar sobre a gestão de Lip-Bu Tan.

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Fontes e referências 9

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