Polícia desmobiliza acampada no Rossio e há detidos e feridos em Lisboa

Corpo de Intervenção da PSP avançou de madrugada sobre manifestantes pelo direito à habitação; contagens de detidos e feridos variam conforme a fonte

Polícia desmobiliza acampada no Rossio e há detidos e feridos em Lisboa
(Reprodução/CNN Portugal)

Na madrugada deste domingo (1º), por volta das 04h30 no horário de Lisboa (01h30 em Brasília), agentes do Corpo de Intervenção da PSP avançaram sobre a acampada pelo direito à habitação montada no Rossio. A ação também atingiu manifestantes no Porto, segundo as reportagens publicadas nesta manhã.

Antes do avanço, os manifestantes tentaram retardar a operação formando um cordão humano, mas a barreira foi desfeita quase de imediato pelos policiais. Relatos de testemunhas e da Lusa descrevem empurrões, cassetetes e pessoas levadas pela polícia, incluindo um homem com o rosto ensanguentado, visto pela agência ao ser conduzido pelos agentes.

Números divergentes

O porta-voz da Acampada de Lisboa contabilizou pelo menos dez detidos e seis feridos na sequência da operação no Rossio. Já a PSP, em comunicado, informou treze manifestantes detidos e treze agentes feridos nas intervenções de Lisboa e do Porto. Segundo a corporação, seis detidos foram em Lisboa e sete no Porto, e todos os policiais feridos estavam no Porto.

A polícia justificou a intervenção com o aumento da resistência dos manifestantes. Do lado da PSP, a Direção Nacional afirmou que garrafas foram arremessadas contra os agentes no Rossio e, na Praça da Figueira, objetos retirados de caixotes de lixo também foram atirados. O lado dos manifestantes, por sua vez, afirma ter sido alvo de bastonadas, e a versão de cada parte ainda não foi confrontada por uma investigação independente.

Tendas removidas e reações

Além das prisões, a operação removeu estruturas do acampamento. De acordo com a PSP, em Lisboa foram retiradas e apreendidas 69 estruturas, com participação da Polícia Municipal. No Porto, o comunicado cita 30 estruturas removidas. Em Lisboa, a acampada havia começado após uma marcha de milhares de pessoas no sábado (31), e os ativistas levantaram mais de 50 barracas no Rossio contra um projeto de lei sobre aluguéis, que, segundo eles, agravaria a crise habitacional.

O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa manifestantes da acampada, anunciou que vai apresentar participação criminal contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP. Sobre os detidos, ele disse que "estes jovens e alguns menos jovens não cometeram nenhum crime".

O deputado socialista Pedro Delgado Alves já havia afirmado, antes da operação, que a praça estava tranquila e que nada justificava uma intervenção com uso de força. A reportagem da DN registrou que a manifestação chegou ao Rossio sem incidentes, o que reforça a divergência sobre o que motivou a ação policial.

A operação foi acompanhada por elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, que também observou a manifestação durante o dia. Até o fechamento desta matéria, não havia balanço oficial final que resolvesse as diferenças entre a contagem dos manifestantes e a da PSP.

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Fontes e referências 4

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