Ciência brasileira em destaque global, biomédico vence prestigiado prêmio nos EUA por combate à desinformação nas redes

Daniel Dahis é o primeiro brasileiro a conquistar o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communications; pesquisador concorreu produzindo conteúdo em português para desmistificar temas de saúde pública.

Daniel Dahis
Daniel Dahis (RivoTalks)

Em um cenário marcado pela proliferação de boatos e desinformação médica nas redes sociais, a divulgação científica brasileira alcançou um marco inédito no exterior nesta semana. O pesquisador e biomédico brasileiro Daniel Dahis tornou-se o primeiro representante do país a vencer o prestigiado prêmio internacional Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communications, concedido pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM) em parceria com a fundação Schmidt Futures.

Dahis foi agraciado na categoria Cientista Pesquisador: Início de Carreira, superando dezenas de concorrentes globais e garantindo uma premiação de US$ 40 mil. A premiação, que terá sua cerimônia oficial de entrega no próximo dia 20 de novembro em Washington, não reconhece uma descoberta específica de bancada laboratorial, mas sim a capacidade de traduzir literatura biomédica de alta complexidade em linguagem acessível e dinâmica para combater teorias da conspiração e fraudes digitais de saúde.

O feito torna-se ainda mais singular pela estratégia linguística adotada pelo cientista: embora mantenha vínculos acadêmicos nos Estados Unidos e atue com pesquisa de ponta, Dahis submeteu ao júri conteúdos voltados especificamente ao público brasileiro, produzidos integralmente em português. Em suas redes sociais e plataformas de vídeo, o pesquisador dedica-se a combater falácias que ressurgem ciclicamente — como a alegação fraudulenta de que imunizantes causariam autismo —, além de explicar estudos clínicos sobre novas terapias gênicas e farmacologia.

A conquista ressalta o papel de uma nova geração de cientistas brasileiros que atuam como "tradutores de ciência", disputando espaço nas redes sociais com narrativas descontextualizadas para reconectar a sociedade civil às evidências empíricas e à importância da imunização coletiva.

Clique em um parágrafo para avaliar um trecho específico.

Usamos apenas cookies essenciais (login, segurança e preferências) e uma contagem anônima de leituras. Não usamos cookies de publicidade. Saiba mais