R$ 135,9 mil é o preço de entrada da DFM, a chinesa que chega ao Brasil com 60 lojas e garantia de sete anos

A Dongfeng, uma das montadoras mais antigas da China, estreia com o nome DFM e dois elétricos: o hatch Box e o SUV Vigo. Ela entra num mercado já disputado por BYD, GWM, Geely e GAC.

DFM Box
DFM Box (Reprodução)
  • R$ 135.900 é o preço de lançamento do hatch Box (R$ 138.900 de tabela).
  • R$ 169.900 é o preço de lançamento do SUV Vigo E2+ (R$ 174.900 de tabela), num lote de 99 unidades.
  • 60 concessionárias estão previstas em todo o país, com 32 grupos de revendedores já contratados.
  • 7 anos ou 300 mil km é a garantia total dos dois carros. Bateria, motor e sistema elétrico têm 10 anos, sem limite de quilometragem.
  • 1969 é o ano de fundação da Dongfeng.
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A Dongfeng chegou. No Brasil, a montadora chinesa usa o nome DFM, sigla de Dong Feng Motor, e começa a operação com dois carros 100% elétricos. Os preços foram divulgados na sexta-feira, 23. No sábado, 25, as primeiras unidades do Box foram vistas desembarcando no porto de Cariacica, no Espírito Santo. As vendas começam entre o fim de outubro e novembro.

Os dois carros

O Box é o modelo de entrada. É um hatch de 4,02 metros com motor de 95 cv e bateria de 43,89 kWh, do tipo LFP (fosfato de ferro-lítio). A autonomia é de 275 km no padrão do Inmetro. Com carregador rápido, vai de 30% a 80% de carga em 30 minutos. O porta-malas tem 309 litros. Vem em versão única, com seis airbags, câmera 360 graus, piloto automático adaptativo e frenagem automática de emergência.

O Vigo é um SUV compacto de 4,31 metros com 163 cv e bateria de 51,87 kWh. A autonomia é de 302 km, e a recarga rápida de 30% a 80% leva 18 minutos. O porta-malas tem 500 litros, mais um compartimento escondido de 72 litros. A versão E2+ traz teto panorâmico e carregador de celular por indução. Uma versão E2, com menos itens, foi apresentada por R$ 163.900.

Os preços promocionais valem até 31 de dezembro ou enquanto durarem os estoques.

A briga é com quem já está aqui

Os dois carros caem na faixa de preço mais disputada dos elétricos no Brasil. O Box concorre com o BYD Dolphin, o Geely EX2, o MG4 Urban e o GAC Aion UT. O Vigo mira o GWM Ora 5, que custa R$ 5.910 a menos, segundo o site Auto+.

O principal argumento da DFM não é o preço, e sim a garantia. Sete anos de cobertura total é um prazo acima da média do mercado. Isso pesa num ponto fraco conhecido dos elétricos chineses: a desvalorização na revenda. Um Box comprado agora chegará a 2029 ainda com quatro anos de garantia, o que pode ajudar a segurar o preço do usado.

A operação

A rede começa com 60 lojas em 48 cidades, espalhadas por mais de 20 estados e o Distrito Federal. A primeira concessionária será inaugurada em Curitiba. A marca também vai vender pela sua loja oficial no Mercado Livre.

A DFM fala em ter 11 modelos no Brasil até 2028. Entre os próximos estão os SUVs híbridos plug-in Mage e Huge, além de carros da Voyah, a divisão de luxo do grupo, e da M-Hero, que faz utilitários fora de estrada. A empresa também planeja montar carros no país no futuro, mas sem prazo definido.

Na China, a Dongfeng fabrica carros em parceria com Nissan, Peugeot, Citroën, Honda e Kia. Alguns modelos da Peugeot desenvolvidos lá devem ser vendidos no Brasil.

Contraponto

A DFM chega tarde. BYD, GWM, Geely, GAC e MG já têm redes montadas, carros conhecidos e, no caso da BYD e da GWM, produção no Brasil. Ser a sexta ou sétima chinesa a entrar no mercado significa disputar um consumidor que já tem várias opções e que ainda não conhece o nome DFM.

Os preços também ficaram acima do que o mercado esperava. Em agosto, as estimativas para o Box ficavam entre R$ 120 mil e R$ 140 mil, e o valor final ficou perto do limite superior. O lote promocional do Vigo E2+ tem só 99 unidades. Depois dele, o preço sobe para R$ 174.900. E a falta de estoque é um risco real neste segmento: a Geely, concorrente direta, precisou reajustar os preços do EX2 e do EX5 por escassez.

Por fim, todos os carros vêm importados da China, por enquanto. Sem fábrica no Brasil, a DFM fica mais exposta ao câmbio, e o real perdeu valor frente ao dólar nesta segunda-feira.

O que observar

O primeiro sinal virá dos emplacamentos de novembro e dezembro, quando os dados da Fenabrave mostrarem quantos carros a DFM vendeu. Também vale acompanhar se a marca mantém os preços depois de 31 de dezembro, se a rede de 60 lojas fica pronta no prazo e quando chegam os híbridos plug-in, que podem atingir um público maior do que os elétricos.

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